quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Das dores e do estremecimento

Eu não me estremeço, nem choro, nem temo nada do que vem. Os golpes que hoje me atingem não deixam mais que dissabores, tamanho o meu acomodamento com as feridas já cicatrizadas. Eles sabem que me ferem. Eles buscam o meu sofrimento tanto quanto eu busco a minha liberdade, que ainda hoje parece tão distante. Soa-me gutural o som da via expressa e eu me desloco pela vida como um felino. O meu quarto, mesmo para um menino frígido, é encantador. O mundo e a sua vastidão são assustadores e me destroem. Mas eu não fujo, nem me amedronto, nem me espanto.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

O Sul está em Queda

Busco em mim um remédio para a solidão
Pois persiste o teu cheiro
E o gosto do teu beijo
E tudo ao redor com teu movimento

Como não bastasse o som da tua voz
E o verde dos teus olhos cintilantes
Nada me parece mais infame
Que os registros da minha memória

Por isso eu peço ao destino,
deuses, carma, ou o que seja:
alivia-me o fardo.
Deixe-me esquecer o passado,
porque ele existe e insiste,
e eu nunca mais amei ninguém.

Se não me faz este favor o imaginário,
peço a ti mesmo, amor amado,
despreza-me mais, pois eu nunca te esqueci.

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