sábado, 27 de novembro de 2010

Trilha do desespero



Há um mundo de incertezas, existe muita "realeza" que não sabe reinar. Tem muita gente liderando o caminho, mas sequer sabe caminhar. Estamos na trilha do desespero. E isso não significa que não possamos nos retificar, somos guiados pela certeza de quem nos traz. Estamos livres. Como passarinho que tem asas... mas não sabe voar. E para quem não entende palavras em grego, português, inglês, hebraico (jamais falará). Condição é decisão até que alguém mude ou simplesmente insista em ‘bilinguar’. Suporte é escapatória para os fracos. Chorar é para os fracos. Tremer, perder, esquecer, suar, cair. Tudo é para os fracos. Não há nada para os fortes. Os fortes são apenas fortes, até que a fraqueza cheia de ressentimentos vença com apatia ao lhe derrubar. A vitória é para os fracos. Perder também.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Bem vindo ao circo.

Eu vejo homens de guerra
solucionando batalhas, prontos para lutar.
Eu vejo mocinhas fardadas,
os filhos dentro de casa e elas a dançar.
Vejo mais que um simples poema,
vejo toda essa gente pequena
a crescer e a sonhar.
E os vejo mais livres e sorridentes
trabalhando cansados, mas contentes.
Com sorriso de gente sincera, que gosta de trabalhar.
Eu tenho visto o contrário sempre.
Cheios de angústia e aflição, cada vez mais gente
que recusa ao mundo se humanizar.
É o mal do século, da vida e do trabalho:
transformar homens felizes em seres apáticos.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Sob medida.


Eu carrego a sina de viver sob medida, de não me opor ao limite e de aceitar minha total dependência. Fui programado à obediência. E, ainda assim, insisto na equivalência aos meus superiores. Anseio ultrapassá-los. E me divido em muitos. Não sou o mesmo o tempo todo, mas sou vários em um só. Eu tenho nomes, jeitos e atitudes diferentes. Por isso, costumo ser mais quando quero ser menos. Suporto a farta condição de não ter um ponto de referência único e me desdobrar para encontrar o caminho certo, mesmo sabendo da sua gritante distância.

sábado, 20 de novembro de 2010

Adeus.

- Não há amor que não acabe. – Ela me disse.
Eu pensei o mesmo, mas decidi não opinar seus sentimentos. Aquele era o fim e não havia desvio ou discordância. Era o fim. E eu, mestre supremo de incontroláveis fins, aceitei. Apenas aceitei. Aceitei o fim desse relacionamento como um aidético aceita a morte, como o mar aceita as ondas. Embora enfeitiçado estivesse, não pude guardar para mim o brilho daqueles lindos olhos, nem o gosto daquele doce beijo de despedida. Estive preso.
- Desculpe, - ela sussurrou enquanto lacrimejava – eu não amo você.
- Mas houve tanto amor...
- Ou fingimento. – a mulher da minha vida chorava de raiva – Eu tentei, juro. Tentei amar você da maneira mais cruel a mim mesma, me martirizei por você, mas não posso continuar.
Depois de tanto ver lágrimas, deixei que as minhas inundassem aquele cômodo de tristeza. Aflito, quis implorar. Apenas quis, pois meu orgulho foi mais forte que o desejo de prosseguir. Eu a amava, com a certeza do mundo inteiro. E era um amor sofrido, indigente, contínuo e solitário. Eu a amava sozinho. Estive condenado a suportar todo aquele amor sozinho, preso à dor da solidão.
- Estou indo embora.
- Não, não está. – Senti o gosto das minhas próprias lágrimas amargando meus lábios – Você está presa em meu coração, em minha alma. Essa dor que estou sentindo é uma lembrança de todo sentimento que tivemos e...
Um beijo intenso, uma batida de porta. O silêncio. Sem reação, fiquei parado. É incrível como sempre tenho a sensação de que o fim sempre pode ser um recomeço. E que o amor está  exatamente no intermediário.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Aos descabeçados.



Não tenha medo de dar a cara a tapas, a menos que alguma sujeira te faça apanhar. Há tanta gente que se dói por tão pouco. Seja o que for, você pode falar o que quiser. Pode odiar quem quiser, se realmente souber o poder dessa palavra, pode inventar as mentiras que quiser. Cada um sabe da sua essência. Ter base, estrutura familiar, amor, carinho e irmandade não é pra todo mundo. Literalmente, não é.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Espero.

Estou seco...
Por dentro, por fora.
Não tenho motivação própria,
 não sinto vontade de golpear, mas continuo.
 Nada custa tentar.
Morri cem vezes,
vivi outras mil...
Tenho medo desse aspecto,
dessa dor febril.
Estou feliz...
Alcei meu objetivo
e estou aqui a cumprir.
Suspeitos
são meus olhos a lacrimejar.
De todo esse ensejo
fico aqui a te esperar.
Espero-te vida gloriosa.
Espero-te da maneira mais gostosa,
do jeitinho que sei te desfrutar.
E espero sorrindo,
vivendo e pedindo.
Amando inúmeros amores
que me impedem de amar.
Mas amo.
Amo porque tudo que sei é amar.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O menino do rebanho.

E eu vi um garoto pequeno, e cada palavra dita de sua boca soava como fogo ardente na pele dos descrentes. E sua retórica era forte, mas não era maldosa. Seus ditos pairavam no ar como realidade, enquanto tudo mais se convertia diante de si. Ninguém chorava e ninguém se movia, ninguém conseguia falar. A única percepção que conseguiam alcançar era a da audição. Ouviam com cautela e admiração tudo que era dito pelo pequeno menino. Esse, com o peito estufado, dominava as palavras com amor. Falava com autoridade e não tinha medo do que os humanos lhe fariam por ter dito denúncias, pois estava em nome do maior. A multidão ia crescendo ao redor do menino, todos com suas imprestáveis tecnologias e artefatos mundanos. Somente os ouvidos conseguiam captar aquele momento. O garoto falava e esbravejava verdades aos sete ventos, de maneira que nada e ninguém podiam lhe impedir, pois a força do Altíssimo o cobria de proteção. E suas manifestações eram aclamadas e aplaudidas de pé, fazendo com que meros seres humanos mortais voltassem seu olhar para a verdade eterna. E que fizessem parte dela. De repente, quando já havia terminado de juntar a sua multidão, o menino parou de falar. O vento fez isso por ele. Surgiu uma forte ventania e tudo que não esteve dentro das palavras do menino começou a ser levado. Celulares, câmeras fotográficas, sapatos de luxo, roupa, pele, carne, cabelo. Tudo se foi com o vento, mas continuavam reunidos os corações daquele pobre povo sofredor. Não havia mais riqueza, ouro ou beleza carnal. Tudo que restara daquela multidão medíocre estava ali: o sentimento. Já não havia nada que não fosse espírito, que não fosse verdade e que não atendesse às palavras do pequeno pastor. A simplicidade é a verdadeira dona da alegria. O rebanho estava contente agora.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Estou certo...


Estou certo que há algo melhor e mais consistente à minha espera. Sempre tive essa certeza empolgante. Eu, que sempre tive a sorte de ser serenamente completo, estou convicto da plenitude que me aguarda. É grandioso, como eu também sou grande, como o mundo a minha volta é grande. É incrível como estou cada vez mais cercado de coisas que gosto e de pessoas com quem  me agrada estar. Ao mesmo tempo em que abandono outras que, por muito, amo amar. Mas é assim que é feita a vida: dois lados fortes, complementares e extremamente opostos. É assim que é feito o ser humano... De verdade e de mentira.  Estou certo do lado que escolhi e das atitudes que devo tomar. Estou certo, desde que nasci, que sou um ser humano de verdade e não uso mentiras para me beneficiar. Não preciso fingir para ganhar. A vida toma conta desse jogo, não vale a pena mentir para se santificar. A arte de se conhecer é mais forte e mais digna que a de ser conhecido. Tudo isso passa, mas sei que há algo muito bom que ainda vai me ver passar.

domingo, 7 de novembro de 2010

Cansaço, triste cansaço.


Eu ando meio cansado. Cansado das reclamações, lamentações, sermões. Ando cansado da mediocridade das pessoas, ou das próprias pessoas. Ando cansado. Tudo que tenho feito é exigir de mim uma força que não possuo, tudo para satisfazer quem mais deseja. E eu, cansado sendo, vou arrastando meus pés sobre o chão. Vou arfando e suspirando ares cansados. Rôo as unhas, suo em demasia, perco preciosos fios de cabelo, vou me desfazendo de mim mesmo aos poucos. Mastigo uma realidade na qual nunca me imaginei estar. Engasgo-me com ela. Retribuição é a palavra de recomendação. Não faça isso por você, faça pelos outros. Eu não sou a vontade alheia, sou movido a desejos meus. Insisto em contar os grossos fios que nascem cansando meu rosto. Impossível. Se não posso ter controle sobre o meu futuro, como quero descobrir a exatidão da minha barba? Eu ando muito cansado.

Canção da despedida.


Com tempo, sem tempo. A vida vai passando devagar, quase que pausadamente. Há dor no meu olhar. Peço a alguém que, vivo como eu, me explique o que vou enfrentar. Ainda estou sem direção, favor apontar. Silêncio. Respire, inspire. Poupe seu coração, segure as lágrimas, não me faça chorar. Conheço bem o medo e a imensidão, sou capaz de suportar. Não tenho anseio. Justo eu, que já lutei com demônios e os vi ganhar batalhas sei que estou vencendo a guerra. Eu tenho as armas certas para lutar. Paciência. Tudo tem seu tempo, seu lugar. Sente um pouco, venha conversar... Mas não chore, para não me fazer chorar.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Coração mais lento.

Eu preciso de um coração mais lento. Eu p-r-e-c-i-s-o de uma calmaria gritante, de uma paciência conjunta, de um amor angustiante. Ou não preciso de nada. Tenho tudo, toda marmelada, toda graça parda. Eu anseio desejos menores. Chuva fria, noite quente, amor estridente, vida bandida. Eu sou uma transição consequente. Vejo agora ao meu redor que o ciclo está se modificando, mas sou substancialmente cego. Aos olhos do mundo, o foco está distorcido. Entendo que não tenho poder sobrenatural, sou mutável à minha existência. A realidade é a diferença de quem custa a sonhar.

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