quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A magia do silêncio


Eu preciso entender o motivo de tanta austeridade. A genética favorece o lado cruel da existência, a personalidade rigorosa e um tanto crua com os iguais. É perverso alterar o mundo sobre si quando o que mais se quer é deixá-lo desabar. A correnteza não leva os pedaços que ficaram sobre a areia. Não há quem os carregue. Eles são definitivos, mas há quem os repare. Ainda não encontrei o anjo sobre qual os disserto, mas ainda o busco. E é uma busca silenciosa, calma. A pressa é inimiga da perfeição, lembra? É no silêncio que a magia acontece.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Melhor idade

A mulherzinha sorriu satisfeita: era a primeira vez que fazia aquilo. Estava um pouco envergonhada, meio cabeça baixa, mas estava contente. Que mulher na sua idade teria coragem de fazer aquilo? Nenhuma! Ela era um ótimo exemplo para as outras velhinhas. Provavelmente seria orgulho delas também. Tornar-se-ia uma heroína.
Pensando nisso que se levantou, colocou a roupa justa e saiu andando devagarzinho, para não acordar ninguém. Sentiu o vento lhe bagunçar o cabelo. Em outra ocasião, ficaria incomodada com aquilo, mas seu cabelo não tinha muita importância agora. Ela queria era sorrir para os sete ventos e cantar com os passarinhos. Queria dançar na chuva ao som das mais belas sinfonias desse mundo, queria deliciar-se com o gosto da primavera que chegava, queria gargalhar sem se importar com os dentes que lhe faltavam. Queria ser feliz...
E estava sendo, até que alguém lhe impediu de andar.
- Com licença. – Ela disse irreverente.
- Com licença? – O rapaz forte pegou a velha pelos braços – É só isso que tem a me dizer?
- Meu filho!
A mulher, assustada, tremeu-se por inteiro. Já não sentia as pernas e nada conseguia falar, tamanha a sua vergonha. Tentou explicar, mas sua voz era falha.
- Explique que cheiro de maconha é esse que você está exalando. Estava se drogando?
- Não, meu bebê. Só fumei algumas, não foram muitas.
- Então é com isso que você gasta o dinheiro que lhe dou para comprar os remédios?
- Foi somente uma aposta. – Ela engasgou com a própria saliva, tossiu. – Juro.
- Uma aposta? De quê? Sua dignidade?
O homem saiu e deixou que a sua mãe permanecesse isolada ao barulho da cidade. A vida corria depressa e a esperança da senhora parecia correr também. Para seu filho, era apenas uma drogada. Passou anos tentando refazer a sua imagem, aquela que tinha de presidiária por ter assassinado o infeliz que lhe engravidou e agora seu próprio filho a odiava. Gastaria outra vida para reconquistar o amor do rapaz. Pouco importava. Ela ainda tinha tempo e alegria de sobra para gastar.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Eu quero



Ando cansado do futuro incerto,
do medo e angústia.
Ando cansado de tudo que quero.
E ainda quando não quero nada,
já estou querendo alguma coisa.
Quero festa sem bilhete de entrada.
Quero colégio sem farda,
bebê sem fralda,
amor sem esmeraldas.
Quero música com letra boa,
tarde de domingo à toa,
o mais belo acorde que a viola entoa.
Quero o prazer de uma vida amada.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Isso basta para o seu dia.



Sinta o vento tocar sua pele e, quando isso acontecer, lembre-se de mim. A partida não é definitiva sempre. Sinta com o vento a leveza dos meus abraços e o amor que teve de mim. Quem me dera estar ao seu lado eternamente. Sinta bem a brisa e assim estará também me sentindo. Feche os olhos quando a primeira onda do dia tocar os seus pés, eles o sentirão com mais vida, com mais força. Ouça o som do mar lhe convidando a sorrir. E sorrir é um dom tão precioso. Sorria frente ao mar. Deixe seus pés molhados encharcarem sua alma de alegria. Pra quê alegria melhor que a alegria de viver? Sorria e isso basta para o seu dia.

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