segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Lápide


A armadilha do mundo é minha ficção e meu desejo é um delírio compulsivo.

O alimento da minha alma está pronto, eu não. Preciso retomar meu gosto, já que o amanhã não existe. Despi minha armadura e me entreguei ao matadouro, sou a melhor carne. Tenho a melhor face e o pior sentimento. Jogo fora a vontade, vou me vender. O melhor preço, fingimento: sorrio para o abate. Ganho o mundo com falas que não me pertencem. Não vivo o gozo e dispenso a alegria de momentos, quero a eternidade. Quero o mundo em minhas palavras, torná-las dele e deixá-las correr livremente... Grandiosamente. Então me sacrifico.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Pequenas grandes faltas


Eu sinto saudade de coisas que nem existiram, de coisas que podem nem existir. Tenho uma penosa preocupação com minha lucidez, muito embora minha loucura seja prevalente. Não sei que parte de mim está mais completa. Às vezes penso que sou feliz e sorrio em demasia, outras vezes me encontro perdido de mim mesmo e me afundo em tristeza e solidão. Quem eu sou então? Eu sinto falta das pequenas coisas que formavam o meu antigo dia; e que não me tomavam a noite. E não me deixavam leve, cansado, sem tempo (ou tempo demais), sem vida... Estou confuso sobre o que busco, mas nesse momento não importa: sinto falta de não me buscar.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Sonhos transparentes

Liberta-me o corpo,
pois minh’alma não se encontra em prisão.
Alivia-me com teu sopro
e inspira de meu ar a redenção
Sou relapso.

Enganam-se os olhos,
mais adiante, algum coração.
Restringem-se ao que não posso.
E findo, com prazer gozoso, em solidão.
Sou escasso.

Preencha-me o amargo vazio,
ou nada faça e me deixe te admirar.
Assombra-me teu olhar viril,
mas fique assim, deixe estar.
Sou privado.
Ilusão.

domingo, 17 de julho de 2011

Ponto de continuação


Se eu pudesse dizer tudo que sei, ainda assim estaria em silêncio. O mistério é prazeroso, delicado e divino. As armas que eu tenho, pequena minha, não posso usar. Todos esses venenos, as mentiras e nem essa vontade precipitada de acabar podem me ajudar. Eu sou o ponto de continuação. E minha pequena ambição é a de não continuar... Talvez por não ter desejos, talvez por não poder parar. Quem sabe alguma linda história me faça chorar, mas não há memória melhor que a de poder amar. Não há melhor vitória que a de não ganhar. Valer-se dos seus defeitos já é uma grande virtude.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Nostalgia


Levanta sempre.
Recomeça, sempre.
Refaz teus passos, tua caminhada,
teus objetivos, tua luta.
Reconstrói o teu império.
Parta do zero, mas consiga
uma maneira de partir.
Desfruta de ti.
Recusa o pão, o tempo, o chinelo.
Vá à pé, devagar,
não te imponha limites.
Prospera teu desejo
e o faça voar.
Seja feliz, sempre.
Viva eternamente.

domingo, 17 de abril de 2011

Minha conclusão




Sobre sentimentos terceiros
não sou fiel ao coração.
Tudo que sinto é passageiro.
Digo a verdade, ou não.
Petrifico-me ao me imaginar
e não chego a nenhuma conclusão.
Se a mim não chega justiça
aproxima-se, tola, a solidão
E me entrego por inteiro.

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