sábado, 20 de novembro de 2010

Adeus.

- Não há amor que não acabe. – Ela me disse.
Eu pensei o mesmo, mas decidi não opinar seus sentimentos. Aquele era o fim e não havia desvio ou discordância. Era o fim. E eu, mestre supremo de incontroláveis fins, aceitei. Apenas aceitei. Aceitei o fim desse relacionamento como um aidético aceita a morte, como o mar aceita as ondas. Embora enfeitiçado estivesse, não pude guardar para mim o brilho daqueles lindos olhos, nem o gosto daquele doce beijo de despedida. Estive preso.
- Desculpe, - ela sussurrou enquanto lacrimejava – eu não amo você.
- Mas houve tanto amor...
- Ou fingimento. – a mulher da minha vida chorava de raiva – Eu tentei, juro. Tentei amar você da maneira mais cruel a mim mesma, me martirizei por você, mas não posso continuar.
Depois de tanto ver lágrimas, deixei que as minhas inundassem aquele cômodo de tristeza. Aflito, quis implorar. Apenas quis, pois meu orgulho foi mais forte que o desejo de prosseguir. Eu a amava, com a certeza do mundo inteiro. E era um amor sofrido, indigente, contínuo e solitário. Eu a amava sozinho. Estive condenado a suportar todo aquele amor sozinho, preso à dor da solidão.
- Estou indo embora.
- Não, não está. – Senti o gosto das minhas próprias lágrimas amargando meus lábios – Você está presa em meu coração, em minha alma. Essa dor que estou sentindo é uma lembrança de todo sentimento que tivemos e...
Um beijo intenso, uma batida de porta. O silêncio. Sem reação, fiquei parado. É incrível como sempre tenho a sensação de que o fim sempre pode ser um recomeço. E que o amor está  exatamente no intermediário.

Um comentário:

  1. "Eu a amava, com a certeza do mundo inteiro. E era um amor sofrido, indigente, contínuo e solitário. Eu a amava sozinho. Estive condenado a suportar todo aquele amor sozinho, preso à dor da solidão."

    "Eu estou te amando sozinha, presa a um amor unilateral agora. Pablo eu sou apaixonada por você!"

    LINDO TEEXTO, MENINO!

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